Copilot Studio: MCP ou A2A

Fala pessoal! Se você está construindo soluções com agentes no Copilot Studio, em algum momento vai se deparar com a pergunta: como faço para que meus agentes se comuniquem e colaborem entre si?

A Microsoft documentou formalmente dois protocolos para isso: o MCP (Model Context Protocol) e o A2A (Agent2Agent). Eles são complementares — mas servem para propósitos diferentes. Neste post vou explicar os padrões de arquitetura multi-agent do Copilot Studio e, principalmente, quando usar cada protocolo.


O que é um sistema multi-agent?

Um sistema multi-agent é uma arquitetura onde vários agentes especializados colaboram para completar tarefas complexas. Em vez de um único agente gigante que “faz tudo”, você divide responsabilidades:

  • Um agente cuida de suporte ao cliente
  • Outro acessa dados do ERP
  • Outro valida compliance
  • Um orquestrador coordena todos

Cada agente é um componente autônomo que troca informações e coordena trabalho com os demais. A chave é que essa coordenação precisa ser segura, auditável e governada.


Os dois protocolos: MCP e A2A

A Microsoft documenta dois padrões para integração entre agentes e ferramentas:

Model Context Protocol (MCP)

O MCP é um padrão open source que define como agentes interagem com ferramentas externas, APIs e fontes de dados. Pense nele como o equivalente ao USB-C para agentes: uma interface padronizada que qualquer agente pode usar para se conectar a qualquer serviço.

No Copilot Studio, o MCP é a forma recomendada para:

  • Acesso a dados e ações do Microsoft 365 (SharePoint, Outlook, Teams)
  • Integração com APIs e bancos de dados
  • Expor ferramentas para um agente orquestrador controlar

O orquestrador MCP decide quais ferramentas invocar e sintetiza o resultado final. Você mantém total controle do raciocínio.

Agent2Agent (A2A)

O A2A é um protocolo da Linux Foundation para comunicação agente-a-agente entre plataformas diferentes. Enquanto o MCP conecta um agente a ferramentas, o A2A conecta agentes a outros agentes — inclusive agentes de outras organizações ou plataformas.

O detalhe importante: com A2A, o agente invocado usa sua própria cadeia de raciocínio. As ferramentas e APIs dele são invisíveis para quem fez a chamada — você não sabe como ele chegou à resposta, só recebe o resultado. Isso é ideal para integrar agentes de equipes diferentes ou sistemas externos.


MCP vs A2A: quando usar cada um

Critério MCP A2A
Multimodalidade Depende do host MCP suportar Suporte nativo a tipos de mídia fortemente tipados
Notificações proativas Notificações de sistema Notificações de sistema e de conteúdo
Interações multi-turno Contexto gerenciado pelo host contextId permite gerenciamento entre agentes
Orquestração Host orquestra quais ferramentas invocar Agente invocado usa seu próprio raciocínio
Negociação Requer atualização do cliente MCP Negociação dinâmica — mais robusto para atualizações

Use MCP quando:

  • Você quer controle total do raciocínio e da orquestração
  • O agente precisa acessar dados e ferramentas (SharePoint, APIs, banco de dados)
  • Todos os agentes estão na mesma plataforma ou organização

Use A2A quando:

  • Os agentes precisam ser independentes um do outro — cada um com sua própria lógica interna
  • Você está integrando agentes de equipes ou organizações diferentes
  • O fluxo requer inputs de um agente externo que evolui independentemente
  • Precisa de rastreamento de tarefas de longa duração entre runtimes diferentes

Padrões de fluxo: serial vs. concorrente

Além de escolher MCP ou A2A, você precisa decidir como os agentes se sequenciam no fluxo.

Fluxo Serial (sequencial)

Os agentes são chamados em ordem: Agente A -> Agente B -> Agente C. Cada etapa precisa da saída da anterior.

Quando usar:

  • O caso de uso exige quality gates em cada etapa
  • Aprovações em múltiplos estágios (cada etapa é um agente)
  • Coleta de evidências de compliance
  • Triagem e remediação de incidentes
  • ETL (extract, transform, load) baseado em dados

Quando NÃO usar:

  • O caso de uso se beneficiaria de processamento paralelo
  • A tarefa é simples o suficiente para um único agente
  • O fluxo exige iteração ou roteamento dinâmico

Fluxo Concorrente (paralelo)

Múltiplos agentes rodam ao mesmo tempo e os resultados são consolidados.

Quando usar:

  • O fluxo se beneficia de decisão por quórum (múltiplos agentes validam e o resultado mais frequente vence)
  • Processamento paralelo reduz o tempo total
  • Exemplo: múltiplas verificações de compliance rodando simultaneamente

Quando NÃO usar:

  • A tarefa exige ordem serial
  • Criar branches paralelos aumenta a complexidade sem ganho real
  • Os agentes não conseguem coordenar estado compartilhado de forma confiável

Fluxo Híbrido

Casos complexos combinam os dois padrões. Exemplo real: um workflow de geração de documentos pode ter:

  1. Serial: seleciona template -> gera conteúdo fundamentado -> inspeciona compliance
  2. Concorrente: múltiplas verificações de compliance rodando em paralelo na etapa 3

Recomendações práticas da Microsoft

A documentação oficial lista estas diretrizes (traduzidas e adaptadas):

  1. Prefira orquestração nativa da plataforma para fluxos internos com sub-agentes — mantém a arquitetura simples
  2. Use MCP para acesso a ferramentas e dados incluindo serviços do M365 — é a forma recomendada com segurança, autenticação e auditoria enterprise
  3. Use A2A para comunicação entre plataformas — publique “agent cards” com as capacidades de cada agente e use o modelo de tasks e artifacts do A2A
  4. Integre agentes maduros via MCP ou A2A para evitar reimplementar lógica e melhorar rastreabilidade
  5. Aplique least privilege ao chamar ferramentas MCP — limite as permissões ao mínimo necessário para cada operação
  6. Inclua humanos no loop para ações de alto impacto — peça aprovação antes de executar ações críticas entre agentes
  7. Projete para paralelismo — limite o contexto compartilhado entre agentes ao mínimo necessário e use memória de curto prazo para evitar trabalho duplicado

O cenário mais comum no Power Platform

Para a maioria das soluções com Copilot Studio, o caminho mais prático é:

Agente orquestrador (Copilot Studio)
  |--  Acessa dados via MCP (SharePoint, Dataverse, APIs)
  |--  Chama sub-agentes internos via orquestração nativa
  |--  Integra agentes externos via A2A (quando necessário)

O MCP cuida da camada de dados e ferramentas. A orquestração nativa cuida dos sub-agentes internos. O A2A entra só quando você precisa cruzar fronteiras organizacionais ou de plataforma.


Próximos passos

Você já está usando algum desses padrões em projetos reais? Me conta nos comentários como está sendo a experiência com multi-agent no Copilot Studio!

Até a próxima!